Fowler (1990) definiu uma Ferida Crónica como aquela em que há um défice de tecido em resultado de um dano ou lesão de longa duração, ou de frequente recorrência. As Úlceras de Perna são um tipo muito comum de Feridas Crónicas, que é reconhecido há muitíssimos anos. Os que seguiam a visão de Hipócrates (de que a doença era resultado de um desequilíbrio entre os quatro humores do corpo), acreditavam que uma Úlcera de Perna permitia uma purificação dos maus humores. Essas crenças ainda persistem em algumas áreas – a Úlcera expulsa o «mal» e se cicatrizar a pessoa morrerá.

Até há pouco tempo havia pouco interesse dos médicos no tratamento desta condição. Essas opiniões pareciam coincidir com as de um médico do século XVIII que descreveu o tratamento da úlcera de perna como “desagradável e inglorioso, onde se tem muito trabalho e poucos ganhos” (London, 1982). Os modernos avanços no tratamento de feridas deram novo alento a quem cuida de doentes com úlceras de perna.

À medida que a medicina se torna mais sofisticada, o cuidar das feridas torna-se mais complexo. Constata-se, na maioria das vezes, se não sempre, que as feridas, nomeadamente as varicosas, implicam dor e sofrimento no doente, gasto de material e de tempo, atrasos no processo de cicatrização, resultando num aumento médio de tempo de internamento/tratamento, sequelas por vezes graves e irreversíveis nos doentes, e uma enorme sensação de frustração no pessoal de enfermagem e médico, face aos resultados obtidos. Tudo isto acaba por se traduzir em elevados custos económicos e sociais, quer para os doentes, quer para as instituições, quer mesmo para a política de saúde em geral.

Úlcera de Perna é a presença de solução de continuidade na perna, que ocorre em pele previamente lesada, atingindo a derme papilar e que deixa de cicatrizar (Andriessen, 2002).

Feridas Crónicas: quer devido à sua longa duração, que pode variar entre 1 mês e 63 anos (Frank set all, 1994), quer à sua elevada recorrência num curto espaço de tempo.


Epidemiologia da Úlcera Vascular

Estudos de prevalência, baseados em dados recolhidos na Europa e no Reino Unido, indicam que cerca de 1 a 2% da população desenvolve úlcera de perna durante a sua vida, sendo de uma relação de um homem para cada três mulheres. Na maioria dos casos femininos ocorre na casa dos 50 anos e com antecedentes de tromboses venosas profundas e com história de múltiplas gravidezes. Estão, também, associados factores sociais como a obesidade, tipo de trabalho, estilos de vida, etc.

Ÿ70% são de origem venosa

Ÿ10% são de origem arterial

Ÿ10-15% são de origem mista

Ÿ5-10% são de outras causas (neuropatia, trauma, desordens metabólicas, malignidade, necrose tecidular induzida pela pressão, vasculites, linfoedema, infecção, etc.).

A literatura evidencia o contributo dos profissionais de saúde na prevenção de complicações e manutenção da qualidade de vida da Pessoa com Úlcera de Perna, através de estratégias educacionais e de tratamento.

Perante isto, a APTFeridas apresenta o Curso de Formação “Úlceras de Perna” que visa actualizar os conhecimentos dos profissionais de saúde no âmbito sa fisiopatologia, avaliação e tratamento da Pessoa com Úlceras de Perna.




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