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24-Fev-2008
“ASSIM NASCEU A APTFERIDAS ” (APTF – Associação Portuguesa de Tratamento de Feridas)
 
Após vários anos de prática clínica e no decurso da actividade profissional, existiam inúmeras questões para dar resposta, no âmbito do Tratamento de Feridas, a que Anabela Gomes e Arminda Costeira gostavam deresponder de forma mais clara.
 
Na mente de ambas, persistia de forma continuada a grande dúvida" Será que tratar feridas diferentes de forma idêntica, é correcto?" Esta inquietação, feita do tempo e da experiência que o contacto com os doentes dá, fê-las despertar a atenção para a abordagem do assunto "Feridas".
 
Em 1996, rumaram a Amesterdão, após se terem inscrito na 6ª Conferência Europeia sobre Tratamento de Feridas, que decorreu de 1 a 4 de Outubro. Este, foi talvez o ponto de partida para o volte-face que ambas vieram a implementar no pequeno panorama Português, relacionado com o tema. Foi lá, que percepcionaram uma realidade bem diferente da nacional.
 
A restante Europa trabalhava afincadamente, partilhando informação por intermédio de Associações, contribuindo para um enorme desenvolvimento no que toca aos cuidados prestados aos doentes com Ferida. Muito teria que ser mudado em Portugal!
 
Individualmente, perceberam que pouco conseguiriam fazer, mas institucionalmente as probabilidades de o conseguirem, seriam certamente diferentes. E porque não criar também em Portugal, uma Associação sobre o Tratamento de Feridas, à semelhança dos outros países Europeus?
 
Durante a Conferência, tiveram a oportunidade de conhecer dois Enfermeiros Holandeses, fundadores da primeira Associação deste tipo na Europa: Anneeke Andriessen e Barry Willemsteijn. Partilharam com eles a ideia, que entretanto já fervilhava nas suas mentes e, foram alvo do maior incentivo e apoio.
 
No regresso, as duas Enfermeiras Portuguesas, traziam a imensa vontade de implementar no terreno, muito do que viram e ouviram e, ao mesmo tempo, abrirem um novo caminho no sentido de modificar, para melhor, o que até então se fazia por terras Lusas. Desenvolveram inúmeros contactos com diferentes profissionais de saúde, envolveram colegas nesta ideia, contagiaram profissionais de outras áreas que vieram dar uma ajuda... e foi criada uma Comissão Instaladora, que viria a ser o começo!...
 
Através da realização de inúmeras reuniões, onde todos puderam dar o seu contributo e onde os consensos foram, algumas vezes, incessantemente discutidos, foi definido o objecto da Associação. Constituindo o artigo segundo, dos estatutos da Associação Portuguesa de Tratamento de Feridas, ele diz: “Constitui objecto da Associação promover a adopção de princípios, normas e métodos de tratamento de feridas, recolher e partilhar os conhecimentos e experiências adquiridos por enfermeiros e médicos, acerca do tratamento de feridas, organizar cursos, seminários, conferências e palestras, elaborar e mandar elaborar, colaborar e em geral promover publicações sobre o assunto e todas as demais actividades com ele relacionadas, ou que lhe possam ser úteis; promover a investigação e a formação específica na área de tratamento de feridas e melhorar a qualidade dos cuidados prestados”.
 
Organizou-se o 1º Congresso Português de Tratamento de Feridas. No final de quase dois anos de intenso trabalho e de inúmeras dificuldades, finalmente em 1998, no dia 24 de Setembro, era registada no 6º Cartório Notarial do Porto.E, a 5 de Novembro do mesmo ano, era apresentada ao País, através da publicação dos seus estatutos no Diário da República nº256/98, série III, a ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE TRATAMENTO DE FERIDAS. Hoje, após esteintrincado caminho, sabemos ter já contribuído para grandes mudanças no panorama Português do Tratamento de Feridas.
 
Não será imodéstia dize-lo porque o vemos e percepcionamos em cada dia. Mas sabemos também do muito que há ainda a fazer porque este, é um trabalho nunca acabado. Porque envolve o conhecimento e porque envolve pessoas,seres sempre insatisfeitos com o que a vida lhes dá, em busca constante do melhor, quiçá de um ideal colocado no horizonte...[ ]
 

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